O trem de doido - Película

Pequenos fragmentos cinematográficos

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      12 Apr 2012

      Película - Armando, o sacana

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      Armando botava água na cadeira da professora pra que ela ficasse com a bunda molhada durante a aula. A sala ria. Ele ficava impune. Armando escondia a dentadura da vó, roubava do pai. Armando traía todas as namoradas. Armando roubou o emprego de um amigo. De dois. Armando sempre foi um filha-da-puta. Armando sempre foi amigo dos honestos e aliado aos sacanas. Muitos já o conheciam de verdade. Todos esperavam pela justiça. Armando tem grana, viaja muito. Armando é invejado por todos que dizem: um dia ele se fode. Um dia a casa cai.

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      2 Aug 2011

      Película - Os caras

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      Calça social, sapato, gravata, enfim, vestido para o trabalho. O primeiro estava em um hotel mais afastado. Veio com cara de morsa. O segundo, demorou a aparecer, pra variar, era o segundo. Sempre o segundo fode tudo. Depois de algum tempo, veio com sua cara de areia mijada e pediu desculpas. O terceiro e o quarto vieram rápido, esperavam na porta. Caras de nerd da porra. O quinto destoava do resto. Tinha barbicha e entrou comendo uma maça. Cara de publicitário ou jornalista. O celular não parava, eu precisava correr. Sorte do dia, os outros dois eram próximos do evento. E lá vieram eles. Um tinha cara de mordomo e cegonha, ao mesmo tempo. O outro, era baiano. Pronto. Sete homens e um destino só. Dia de sorte mesmo. Agora é esperar na van até a volta. 

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      24 Dec 2010

      Película - De fora

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      De repente um pé chuta a bola parada no canto da quadra. Outros moleques correm atrás. A professora de educação física apita. Ela quer contar os times, colocar alguma ordem naquilo. "Gente, no futebol, quando um tiver com a bola, não pode ir todo mundo em cima dele. Tem de ir só um pra tentar tomar...", a professora explicava. Depois começou a contar os times: um, dois, três... onze. O outro: "você, vai no gol, você, você. Você aí, vem aqui. Bom, acho que é isso...". Lá de trás, vestindo um short alto, até o umbigo e com uma meia que esticada até o joelho fino, Frederico sussurrou: "conta comigo".

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      16 Nov 2010

      Película - Ela

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      Ela tem um blog sobre games. Ela tem cabelo de personagem de desenho japônes. Ela é japonesa. Ela conta histórias e diz que participa de encontros de cosplay. Ela sabe um alfabeto inteiro de emoticons. Ela tem centenas dezenas de fãs meninos adolescentes. Ela tem um fotolog em que posta fotos com os cabelos coloridos. Ela tem uma comunidade só dela no orkut. ela nunca foi vista por ninguém pessoalmente. Ele é um adolescente gordo e feio, que fica sentado durante 18 horas diárias em frente a um computador. Bebendo coca-cola e comendo salgadinhos, ele criou uma farsa. Ela deu a ele relevância. Todo dia é a mesma coisa: dá mole pra um bando de moleques na internet. Ele não vai querer deixar isso tão cedo. Uma mudança de hábito difícil de acontecer. 

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      28 Oct 2010

      Amigo

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      Primeiro a mão na cabeça. Depois um cheiro. Pronto. Já há intimdiade suficiente para uma voltinha. As pessoas reparam na dupla que passeia lado a lado. Alguns sorriem. O passeio faz bem aos dois. De volta para casa, os dois se preparam para passar a primeira e única noite juntos. Quem sabe terá uma próxima vez? Na manhã seguinte, a certeza de que valeu a pena. Ela não teve medo, porque ele estava por perto. Alguém abre a porta, é o marido chegando de viagem. "Você escolheu bem dessa vez! Esse aí deixa qualquer um protegido", comenta o cara. É hora de levar o companheiro da noite anterior de volta. Ela para o carro em frente ao local e sussura: "é amigo, valeu". Ele parece reconhecer o local, já deve conhecer bem as letras coloridas que anunciam na fachada: cães de aluguel. 

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      11 Sep 2010

      Película - Manco

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      O velho mancou até a porta. Colocou a mão na bengala e desistiu. Voltou mancando para a poltrona. Parou e decidiu sair. Mancou até a porta e colocou a mão na bengala. Parou e pensou. Soltou a bengala. Abriu a porta e saiu. O velho manco sorria e pensava: antes só do que mal acompanhado.

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      10 Jul 2010

      Película - 12 ao P

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      12. 11. 10... a porta se abre. Um passo a frente e Mauro já está dentro. Se abriga no único canto que resta. Nem é um canto, é um resto de espaço vazio. Uma migalha deixada por quem esteve ali primeiro. Um casal cochicha, solta risinhos irritantes. Riem dele? Um gordo sua. O gordo sua e respira alto. Suspira enchendo o ambiente de ar quente. 9.8... Não vai dar, Mauro pensa. Ainda não foi. Deu. O que também deu foi para outra pessoa caber ali. 7. 6. 5. 4... Todos olham pra cima. Mauro olha para baixo. 3.2... Foi. Ele não segura o peido. O casal ainda ria quando o cheiro tomou para si o resto do espaço. O espaço que nem se via, o vácuo. O espaço era daquele cheiro podre. 1. M... antes de marcar P e as portas abrirem, Mauro começou a gargalhar. As portas abriram, todos saíram rápido. Lá dentro um pouco do mau cheiro ainda ocupava o espaço. Mauro ficou. Não saiu. Continuava rindo, chorava até. Não estava sozinho, dividia o espaço com o silêncio dos inocentes que pairava no ar.  

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      21 Apr 2010

      Vira-lata

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      O sol bate nos olhos com uma distorção de Over Drive no talo. Agride e pode até fazer bem. Mas a cidade sua frio. O copo americano suado é feito a cidade, generosos em oferecer contentamento. No boteco, o velho barbudo afina as unhas mal cortadas na quina da mesa de ferro. Não espera mais nada de ninguém. Sem mulher, seus filhos por aí, já com seus próprios filhos. Não esperam nada do velho também. Depois de uma sinuca, olha pra fora, o dia acaba. O céu laranja oferece um início. O velho desiste. Pede um conhaque. Espera mais umas horas pra sair só no escuro. Depois perambula meio zonzo com um vira-lata de rua à sua espreita. Os dois são a antítese de uma noite de natal. Um bicho de pelúcia bizarro e um papai noel bêbado perdidos na noite.    

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      17 Apr 2010

      Mantra

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      E se o mundo parasse no refrão de 'Across the universe'? Aquela mulher do edifício em frente não urraria. Daqui eu vejo o vomito em cima da criança. Decepções mal digeridas. O filho apenas brincava de girar feito um refrão que se repete. Mas parou. Deverá ser menos uma pessoa livre no mundo. Mais um que paga com a vida para ouvir o mantra moderno: alcance suas metas. Em casa, ferido, assiste na TV sábios discutindo se "uma palmada educa". Ele sabe que desceu a mão em seu filho porque estava em um dia de fúria.   

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      10 Apr 2010

      Brilhante

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      Não há ninguém no escritório. Sozinho no trabalho, o sujeito cava coragem para começar. Mas cavar cansa. Levantar da cadeira e buscar um café é bem menos estafante. As luzes da grande sala estão apagadas. Não há ninguém ali, nem mesmo o sujeito, com a cabeça em casa, em sua cama quente. Quem visse de longe veria apenas uma cara brilhante. Ao chegar mais perto, o iluminado pelo écran babava.

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    Aos quatro anos fui ao cinema ver 'O Incrível Monstro Trapalhão'. Fugi de medo, carregado por minha mãe. Um ano depois, nem fui ver 'E.T.', tive medo de ter medo. Aos 13, assistia 'O Exorcista' e a série 'Amityville' de madrugada, sozinho, no escuro. Era bom ter medo daquilo tudo. Hoje, meu único medo cinematográfico é aturar o relançamento de algum clássico do Hitchcock com um elenco de ex-atores mirins da Disney, dirigido pelo Michael Bay e em 3D.
    Pablo Alcântara

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